24/01/2015

LA ORCA: A Obra-Prima perdida de Eriprando Visconti.



A História do Cinema está repleta de injustiças com relação ao talento de Cineastas que não tiveram o devido reconhecido em vida. O italiano: ERIPRANDO VISCONTI é um exemplo bem claro dessa injustiça. Sobrinho do Gênio: LUCHINO VISCONTI, Prandino, como era conhecido pelos amigos, nasceu no início da década  de 30, no momento em que seu famoso tio estava na França, ao lado de Jean Renoir, fundando as bases do Realismo Cinematográfico, que iriam desembocar em OBSESSÃO, longa de Luchino Visconti do início da década de 40 que seria a grande semente ética e estética do Neorealismo Italiano. Prandino cresceu meio que na sombra do tio famoso mas aos poucos começou a desenhar uma autoria muito particular, mesmo com uma filmografia pequena de cerca de nove longas-metragens. Curiosamente seu grande sucesso comercial foi o basilar Nunexploitation: A MONJA DE MONZA, de 1969, um importante e influente exemplar desse delicioso subgênero do Cinema Exploitation. A MONJA DE MONZA está para o Nunexploitation assim como SALON KITTY, de Tinto Brass, está para o Baziexploitation.





Em 1976, Prandino lança um filme de baixo orçamento que viraria um Cult Movie adorado por muitos cinéfilos e realizadores, principalmente europeus: LA ORCA. O filme tem grandes astros do Cinema de Gênero Italiano: MICHELE PLACIDO, que dispensa comentários, FLAVIO BUCCI, um excelente ator que os fãs conhecem de Clássicos como: SUSPIRIA, de Dario Argento e NIGHT TRAIN MURDERS de Aldo Lado. No filme eles interpretam uma dupla   que sequestra a belíssima filha de um milionário interpretada por: RENA NIEHAUS, uma modelo alemã que começava a se destacar na Itália e que ao lado de Michele Placido protagonizam cenas de um erotismo raro, mórbido e ao mesmo tempo luminoso   e arrebatador. Essa mistura  de desejo e repulsa que se mesclam entre Algos e Vítima, entre Dominador e Dominada, me recordou o fabuloso filme de Liliana Cavani: O PORTEIRO DA NOITE. As sequências onde a personagem de Michele começa a desenvolver uma paixão obsessiva por sua bela encarcerada são de uma força dramática e pictórica de grande beleza e força diegética. A sequência da masturbação causou polêmica com a Censura da época, embora em nenhum momento a intenção do Diretor seja o choque ou o escândalo gratuito. As recordações oníricas do mar aparecem como fonte de todo o fascínio que o sequestrador possui com relação a sua "Divindade" que em muitos momentos é iluminada com uma dramaticidade barroca. Outro filme que me recorda esse fetiche da mulher aprisionada na cama, adorada por seu amante, é o remake de CAT PEOPLE onde, na sequência final vemos Natassia Kinski nua e sendo amarrada na cama para a consumação de uma "Cópula Ritual". LA ORCA é um filme poderoso, que fala sobre os conflitos entre proletários e ricos de maneira singular. A imagem onde a bela personagem de REna aparece simulando uma "crucificação, remete à obra do seu tio Luchino em cenas antológicas onde a crucificação é simulada com grande força dramática, em filmes como: OBSESSÃO e ROCCO E SEUS IRMÃOS. Eriprando Visconti faleceu em 1995 deixando uma filmografia pequena mas com belos diamantes como: LA ORCA e UNA SPIRALE DI NEBBIA, de 1977.









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