24/05/2014

HELI: Alguns comentários sobre o cruel e poético filme de Amat Escalante



O Cinema do México consegue surpreender e se renovar de uma maneira muito eficiente. Depois de me encantar com os filmes de Carlos Reygadas, eis que um autor muito interessante fez meu coração acelerar durante a projeção de seu filme: HELI. O Diretor em questão é AMAT ESCALANTE, e por esse filme, de 2013, ganhou a Palma de Ouro de Melhor Diretor em Cannes. O filme toca em uma ferida aberta      e sangrenta para o México: A Guerra do Narcotráfico. Sem estetizar ou "cosmetizar" a violência ou as condições menos favorecidas dos habitantes de uma região árida, Escalante  narra seu filme em tons documentais, com alguns momentos de grande beleza e poesia, nos enquadramentos e na fotografia. O tom da narrativa não é maniqueísta, a trama mostra o envolvimento de uma menina de 12 anos com um rapaz mais velho q desvia uma carga de cocaína apreendida pelo exército e a esconde na casa da namorada. Desdobramentos brutais irão mudar a vida de todos.



As sequências da tortura que tantos comentaram não são tão chocantes assim, mas muito bem dirigidas e com uma sutileza muito interessante. O desfecho mostra a quebra de mandamentos religiosos antecedidos de um áudio onde se ouve uma narração bíblica. Escalante nos leva lentamente para o abismo, com muito talento e sensibilidade. Um filme de grandes qualidades, que abre com uma inusitada cena de um enforcamento, que se repete posteriormente e termina com um ato sexual que pode ser visto como um ato libertador... E o elenco é muito bom, nada de overacting, nada de regionalismos forçados. O Realismo em HELI é uma depuração sofisticada do Realismo de Renoir, do Neorealismo Italiano. Parece filmado na aridez de nosso Sertão. Resumindo muito, é isso, vale muito a pena descobrir esse diamante do Novo Cinema Mexicano.









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