08/03/2013

LES HEROÍNES DU MAL aka IMMORAL WOMEN: Walerian Borowczyk e a Poesia do Corpo.



O registro luminoso e de texturas pictóricas do corpo são uma das grandes marcas do genial: WALERIAN BOROWCZYK. Com uma filmografia singular, consegue, dentro do Erotismo Cinematográfico, ser uma espécie de “Subgênero”, ao lado de notáveis colegas europeus como: Joe D’Amato, Jean Rollin, Jesus Franco e Tinto Brass. LA BÊTE e CONTOS IMORAIS foram os filmes de Walerian que consegui ver no Cinema, e me marcaram profundamente na época      nostálgica do final dos anos 70 e início dos 80, quando o Centro das grandes cidades brasileiras eram repletos de cinemas enormes onde passavam muitos filmes de Gênero, com um forte acento exploitation. Me lembro de quando me deparei com o cartaz enorme, creio que eram mais de dois metros de altura, do cartaz de LES HEROÍNES DU MAL, em frente ao finado Cine Caçique em Porto Alegre, onde passaram todos os filmes clássicos de gênero, do Giallo ao Cannibal, e, claro, dezenas de  pérolas sexploitation. O tal cartaz de mais de dois metros representava um dos temas mais mitológicos da Pintura: As Três Graças.



No primeiro episódio, ambientado na Renascença tem como protagonista feminina: Margherita, interpretada por Marina Pierro. O episódio é um luminoso  diálogo entre Cinema e Pintura, que somente o lhar de refinado esteta de Borowczyk poderia representar na tela grande. O erotismo é sutil, elegante e engraçado. Belos enquadramentos e um interessante discussão sobre uma das telas que representa as Três Graças. A sutileza da maldade de Margherita    nem se compara ao belo Conto de Horror e Vingança onde se instaura no filme a Zoofilia como estetizada perversão. Gaelle Legrand, interpreta Marceline, uma jovem francesa dos anos 20 que tem uma delicada relação com seu coelinho branco, que tem seu paraíso violentamente desfigurado, gerando uma espiral de sangue e mutilação, com destaque para a sensacional sequência do açougueiro negro e os gráficos close ups genitais ensanguentados, em meio aos carneiros  e a palha. Na terceira e última história, vemos a   bela e ontemporânea mulher, Maroe, que é sequestrada e passa a ser    procurada por seu cão: Céasar. Mais sombrio, esse episódio perde muito em impacto para os dois primeiros, mas tem bons omentos. Um belo filme que mais parece um antigo artefato, perdido no tempo, se comparáramos com a gigantesca difusão de imagens eróticas dos tempos atuais e a perda daquela ingenuidade que tínhamos em 1979...








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