05/01/2013

KILLER JOE: O Mestre William Friedkin retorna com uma deliciosa pérola Pulp.



Confesso que no Post anterior com a minha lista dos 10 melhores de 2012 faltaram filmes importantes que poderiam ter sido citados, coisas que acontecem qdo se faz um Post com pressa antes de viajar para os feriados de final de ano. V/H/S por exemplo, poderia estar na lista tranquilamente, ainda mais após uma revisão recente via DVD do filme, que, aliás, é muito bom, com ótimos extras.Outro filme que com certeza estaria em lugar de honra na lista seria: KILLER JOE, do grande Mestre: William Friedkin, que, com certeza, é o maior autor vivo do Cinema Norte Americano, com uma carreira de grandes clássicos feitos para o público adulto, sem nunca ter sido um cineasta coxinha. Uma lástima que muitos críticos, principalmente os mais novos, não reconheçam o talento vulcânico de Friedkin. KILLER JOE é a adaptação cinematográfica da peça homônima de:TRACY LETTS, ambientada no Texas profundo daqueles que vivem em uma margem distante do glamouroso sonho americano. As personagens são antes de tudo, perdedoras. Sua amoralidade flui com uma assustadora naturalidade e testemunhamos as relações familiares de um jovem traficante pé de chinelo que está devendo para um chefão e que é ameaçado de morte se não pagar a dívida. A solução milagrosa surge qdo ele descobre que sua mãe tem um seguro de vida volumoso então acaba contratando o tal Killer Joe do título para mata-la, só que nem tudo  é o que parece e as coisas saem do controle em um crescendo de tensão e ódio que explode em um sangrento encontro familiar regado a sangue e frango frito...



O filme é uma verdadeira aula de Direção de Friedkin, que conseguiu extrair os atores ótimas performances, auxiliadas pelos diálogos maravilhosos, de grande força dramática nos momentos certos. O filme tem uma dramaticidade onde toda sua estrutura anda sobre o fio de uma navalha afiada, onde a Direção precisa de Friedkin não permite erros fáceis de se cometer em filme como esse. No papel de Killer Joe temos o sensacional:MATTHEW McCONAUGHEY, encabeçando um elenco de grandes atores que parece estar muito á vontade em cena. As figuras femininas do filme são muito interessantes. A madrasta que parece uma Liz Taylor “White Trash” e a ninfeta que se revela o obscuro objeto do desejo de Killer Joe, uma jovem e preciosa atriz que aparece como luminosa representação de um anjo caído, naquela devastada e apodrecida família onde não existem inocentes.   A tal seqüência da coxa de frango é menos engraçada do que alguns acharam, mas está muito bem inserida no roteiro e justamente em um momento onde a sacralidade da mesa e do jantar em família se torna algo de inacreditável brutalidade e beleza cruel de inesquecível força, que já colocam essa longa seqüência na galeria nos grandes momentos do Cinema Extremo. A figura do cão feroz latindo diante da casa parece uma representação de um guardião daquele pequeno pedaço do inferno onde signos expressivos da cultura norte-americana redneck aparem  de várias formas, com rara e elegante sutileza. Absolutamente imperdível, KILLER JOE estréia dia 18 no Brasil com o título de MATADOR DE ALUGUEL. Uma trágica fábula Pulp contada por um narrador genial das imagens: WILLIAM FRIEDKIN...




3 comentários:

Fahrenheit32 disse...

Há uma história que diz que, à época de O Exorcista, numa cena crucial. ( a cena onde o Padre Karras se arrebenta escadaria abaixo e, antes de morrer recebe a extrema unção de seu colega, também padre) Quem fazia o papel do padre Dyer era William O'Malley, que é pároco na vida real e este não encontrava a tensão correta que a cena exigia. A solução encontrada por Friedkin foi simples, chamou o ator/padre, deu-lhe uma bofetada na cara e o mandou filmar. Esse literalmente dirige com "mão pesada". No lugar desse padre, eu até faria a cena, mas depois acertaria as contas com Friedkin, que após a cena abraçou o padre.

Marcelo Carrard disse...

Nossa... adoraria ver como ele dirigiu a sequência da coxa de frango e do jantar em Killer Joe...Sensacional essa história do Padre...

Marcio M disse...

"Uma lástima que muitos críticos, principalmente os mais novos, não reconheçam o talento vulcânico de Friedkin."

Sim, ignoram completamente a filmografia do Friedkin além de "Operação França" e "O Exorcista", sendo que ele também fez outros grandes filmes como "O Comboio do Medo", "Parceiros da Noite", "A Síndrome do Mal", e o maravilhoso "Viver e Morrer em Los Angeles", o meu segundo favorito da todos os tempos, só perdendo para "Maus Companheiros", do Victor Salva.

Aliás, recentemente consegui um Friedkin obscuro em VHS nacional: "Caminhos Perigosos: Danger" ("C.A.T. Squad").

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