14/01/2013

DJANGO LIVRE: A Odisseia Neobarroca de Quentin Tarantino





Existem cineastas cujo nome   é um Gênero Cinematográfico. Ingmar Bergman, Dario Argento, Rainer Werner Fassbinder, Pedro Almodóvar, Federico Fellini e Quentin Tarantino estão nesse grupo seleto de autores cujos trabalhos possuem características tão marcantes e um exercício tão singular de estilo, que só a menção de seus nomes já trazem uma carga imaginária que os coloca em um Olimpo  de autores absolutamente únicos. Em sua busca de recontar e celebrar os filmes que consumiu vorazmente durante a juventude em uma videolocadora, Quentin Tarantino nos brinda a cada novo filme com um deslumbrante tableau de imagens e referências do agora cultuado e respeitado Cinema de Gênero Europeu, com destaque ao italiano e as mais extremas e populares cinematografias asiáticas e um carinho especial pelo cinema australiano de gênero cultuado com o nome inusitado de Oxploitation. Em seu recente e deslumbrante: DJANGO LIVRE, 2012, recria a mais antiga forma de narrativa: a Odisséia Heróica, com camadas neobarrocas de Spaghetti Western, Blaxploitation e tiroteios dignos dos melhores momentos de cineastas asiáticos do calibre de Takashi Miike e John Woo, sublinhados por grandes temas musicais dos Mestres Italianos: Ennio Morricone, Bruno Nicolai, Riz Ortolani e pérolas do Pop como: “I’ve got a Name” de Jim Croce e a bela canção: “Ancora Qui” de Morricone com vocais de Elisa Toffoli, sem esquecer de um excelente remix com o Rei do Soul: James Brown e o Rapper: 2Pac. Na abertura aparece o tema clássico de: DJANGO, de Sergio Corbucci, composta por: Franco Migliacci e Luis Bacalov, que se tornou um ícone do Spaghetti Western ao lado do ator Franco Nero, que faz um aparição no filme de Tarantino.


Tarantino acaba descosntruindo todo imaginário sulista pré-revolucionário de E O Vento Levou, mostrando Senhores de Escravos cruéis, muito bem representados pela personagem de Leonardo Di Caprio, magnífico em cena e na diabólica figura do escravo que acaba passando para o lado dos patrões e se tornando um colaboracionista fiel e assustador, interpretado com maestria por um irreconhecível Samuel L Jackson, com carregada maquiagem de envelhecimento. Essa personagem de Jackson é a mais polêmica do filme, mas absolutamente realista e verossímel, afinal a História da humanidade está repleta de traidores que se unem ao poder vigente para obter poder e privilégios, todo mundo conhece alguém assim, eu conheço muitos... A dupla de heróis tem uma química memorável e nos encantam em sua busca por justiça e liberdade, sem esquecer da história de amor embutida no desejo de Django, um escravo liberto, que deseja encontrar sua mulher. No papel de Django me surpreendi com a interpretação de um ator que confesso não gostar muito:Jamie Foxx. Mas sua atuação e presença em cena, marcantes, o colocam na Galeria dos grandes heróis do Western de todos os tempos. No papel de seu companheiro de aventuras está o grande ator europeu: Cristoph Waltz, no papel de um alemão que atravessa o sul dos EUA como caçador de recompensas. No papel da mulher de Django, aparece a belíssima: Karry Washington de : Quarteto Fantástico. O filme consegue estetizar a violência com maestria nas seqüências sangrentas de tiroteios, com uma alucinante edição de som e nos momentos brutais das lutas entre escravos promovidas de forma sádica pela personagem de Di Caprio. Felizmente o filme não é em 3D, confesso que aqueles óculos me incomodam muito. A beleza de sua fotografia é um deleite para os olhos. São 2h e 45 min de puro Cinema, de Genuíno Trantino que passam voando. O monólogo de Di Caprio diante de um crânio na mesa de jantar é um dos momentos mais brilhantes que eu já presenciei no Cinema em muitos anos. O expressionismo dos olhares em close up são de grande poder diegético, além de uma herança direta do Mestre: Sergio Leone, mas podemos perceber pinceladas do estilo singular de outro grande Mestre: Sam Pechimpah. DJANGO LIVRE é extremamente prazeroso de se assistir. Foi a maior bilheteria de Tarantino dentro dos EUA. Ao mesmo tempo um presente para os fãs ardorosos de Tarantino e seu enorme leque de influências e totalmente recomendado para o público não iniciado no universo do Diretor. Obrigado Tarantino por trazer de volta o prazer de se emocionar dentro de uma sala de cinema, vibrando com a jornada dos heróis em sua odisséia neobarroca no coração do Cinema Norte Americano e de seus cavaleiros olimpianos...







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