08/09/2012

COSMOPOLIS: O Apocalipse do Capitalismo segundo David Cronemberg.


O mundo vive uma crise econômica feroz que está redesenhando o mapa do Poder. Política, violência, Mercado Financeiro, sexualidade, horror e outros elementos de grande poder explosivo se misturam e se confrontam em um planeta interligado pela internet, onde as relações humanas estão passando por uma radical transformação. As grandes revoltas da Primavera Árabe, os protestos em Wall Street, os pobres meninos bilionários que criam redes sociais e sua relação com      a humanidade que parece ser um conceito cada vez mais abstrato nesse cenário onde o declínio do Império Americano passa da teoria para a prática e os emergentes ameaçam exterminar esses novos “dinossauros”. É mais ou menos nesse cenário descrito acima que o livro de: Don DeLillo se debruça e que encantou o genial Diretor canadense: DAVID CRONEMBERG que o adaptou com maestria no filme de 2012: COSMOPOLIS, que participou da Mostra Competitiva Oficial do Festival de Cannes desse ano.


Um dos grandes trunfos de Cronemberg foi justamente a escolha do ator da anódina série Pop: CREPÚSCULO: Robert Pattinson, para o papel do poderoso   representante da elite econômica: Eric Packer, que vive praticamente 24 horas dentro de sua luxuosa e super equipada limosine. Ao escalar esse ator, Cronemberg ironiza com acidez sulfúrica o atual estado de Coisas vigentes em Hollywood, que se transformou em uma imensa fábrica de “Plástico Descartável.” Sua performance vai do quase frio e robótico até momentos onde sua máscara gélida lhe permite momentos de inesperada emoção. Belas mulheres circulam por sua vida nas 24 horas em que o filme se restringe nos mostrando o cotidiano desse homem com direito a suas neuroses e obsessões. A personagem chega ao cúmulo de fazer check ups diários o que inclui a hilária sequência de um exame de próstata que faz a platéia meio que rir de nervosa. O diagnóstico do médico que afirma: “Sua próstata é assimétrica” pontua o filme aparecendo em vários momentos. Do já citado elenco feminino se destaca: Juliette Binoche, sempre com uma presença, uma atuação especial. As sequências dos protestos são muito interessantes. Pertencem ao mundo exterior de Eric, pois dentro de seu “Palácio sobre rodas”, o mundo exterior não o atinge, numa representação brilhantes dos poderosos diante da miséria humana. A visão do homem em chamas protestando é analisada como uma apropriação pelas personagens que citam os monges vietnamitas que protestavam da mesma forma nos anos 60 e 70, imagem essa citada por Jodorowsky na parte final de EL TOPO. A metáfora dos ratos em COSMOPOLIS é muito bem representada, um dos muitos pontos altos do roteiro adaptado por Cronemberg, nesse que um de seus filmes mais pessoais. A presença em cena do sensacional ator: PAUL GIAMATTI, no perturbador confronto final é um presente para o espectador que testemunha um dos melhores trabalhos de um ator coadjuvantes dos últimos anos. A tecnologia de ponta presente dentro da limosine se confronta com a violência que surge brutal em momentos chave desse filme que tem um texto muito forte e contundente. A trilha sonora de HOWARD SHORE é impressionante em sua força narrativa sendo utilizada com virtuosismo nos momentos certos. Quase duas horas de um Cinema de Autor em estado de fúria e calmaria. Indicado para fãs ardorosos do  cineasta canadense em mais uma investigação das profundezas aterradoras da alma humana.

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