23/08/2012

ESCALOFRIO aka SATAN’S BLOOD: Um grito de liberdade em forma de filme de horror.


A Espanha, assim como o Brasil, viveu um longo período de Ditadura Militar que se encerrou em 1977. Após décadas de uma rígida censura  imposta pelo Governo, um filme foi lançado simbolizando o primeiro respiro de total liberdade de expressão: ESCALOFRIO, dirigido por CARLOS PUERTO, com a Co-Direção não creditada do Mestre JUAN PIQUER SIMÓN, o gênio que tanto nos divertiu com PIECES e SLUGS que também foi Produtor Executivo do filme. Em ESCALOFRIO a trama abusa  dos elementos satanistas e tem exuberantes sequências de sexo e nudez. A moral e a hipocrisia católica são atacadas, numa espécie de vingança transgressora contra toda a carga de repressão extrema que qualquer artista sofre durante um período de Totalitarismo e obscurantismo.


A trama gira em torno do encontro de dois casais em uma casa de campo onde a crescente atmosfera de sensualidade e mistério começa a tomar conta de tudo e todos até o momento em que começam a evocar espíritos em uma espécie de tábua Ouija. A sequência dos dois casais se despindo e iniciando uma orgia em frente a lareira é digna de estar em um TOP 10 do erotismo no Cinema, com o destaque perturbador onde o quadro que representa o Sagrado Coração de Jesus pega fogo. A atmosfera de pesadelo e horror desencadeia uma série de assassinatos onde os mortos não estão tão mortos assim e a casa parece uma grande teia   de onde o casal convidado parece não conseguir escapar. Assustadora a boneca e as muitas cenas de pesadelos desencadeadas pela onipresença do mal encarnado que na abertura do filme é nominado como SATÃ, o Príncipe das Trevas em uma espécie de mini documentário. Tórrido em seu erotismo, o filme é menos sangrento do que poderia ser, mas é, além de um Documento Histórico, um Clássico do Horror Cinematográfico Europeu que merece ser descoberto.

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