29/08/2012

COUNTESS PERVERSE: O resgate de mais um Diamante raro de Jesus Franco.


Sempre me impressiona o número de filmes dirigidos, e na maioria das vezes, editados e roteirizados pelo Mestre: JESUS FRANCO até os dias de hoje. Só no ano de 1973 ele filmou, oficialmente, 11 longas, embora existam fontes que afirmem que foram 14... Realmente, a maioria das obras mais poderosas e artisticamente melhor elaboradas de Franco se encontram na década de 70, a Década de Ouro do Cinema de Gênero, como costumo afirmar. Ousadias minhas a parte, o interessante é o excelente resgate de algumas dessas pérolas setentistas de Franco feita pela sensacional distribuidora: MONDO MACABRO, com longa ficha de serviçoes prestados para a pesquisa, difusão e restauro de obras surpreendentes do Cinema de Gênero mundo afora, da Europa, Ásia e América Latina em especial. Das obras de Franco situadas na década de 70 podemos destacar LORNA e SINNER, sem esquecer do recente lançamento da caprichada edição da Mondo Macabro para: COUNTESS PERVERSE, de 1973, claro...


Jesus Franco está no seleto grupo dos diretores que conseguem registrar a nudez e o erotismo femininos com uma força poética que vai além do simples registro descartável do corpo desnudado. Desse grupo fazem parte outros diretores como: JEAN ROLLIN, WALTER HUGO KHOURI, JOE D’AMATO e TINTO BRASS, mas o mais voyerista de todos é, com certeza o safado do Franco. Sua câmera fetichista percorre os corpos femininos com um estilo muito singular e acaba construindo sequências de     grande força imagética e de escaldante erotismo. Em COUNTESS PERVERSE mais uma vez o Diretor faz um de seus “improvisos jazzisticos” sobre  mesmo tema, com a onipresença do mar, uma trilha sonora sempre muito especial e de grande força diegética e a influência da obra de Sade que ele imprimiu tão bem em filmes como: EUGENIE, sem esquecer dos elementos de Horror e homoerotismo feminino imprimidos no Clássico: VAMPYROS LESBOS, com a Divindade: SOLEDAD MIRANDA. E por falar em Soledad, a casa de sua personagem em SHE KILLED IN ECSTASY, 1970 reaparece em COUNTESS PERVERSE, com sua arquitetura inusitada, de grande estranhamento, em meio a uma ilha rochosa que mereceu belas e longas cenas no filme. Se destaca a arquitetura interior vermelha da casa da Condessa, com suas escadarias geométricas onde as personagens “pulam” se destacando do fundo de forte contraste, visualmente o filme é simplesmente arrebatador, mesmo sendo uma produção de baixo orçamento, como a maioria de seus filmes.


No papel da Condessa Ivanna Zaroff aparece a bela e marcante: ALICE ARNO. No papel do Conde Zaroff temos a presença de: HOWARD VERNON, e ainda no elenco a Musa Eterna de Franco: LINA ROMAY, e o genial: ROBERT WOODS. Além de nos brindar com belas   e tórridas cenas de sexo e enquadramentos inspiradíssimos, Franco cri uma bela sequência de Horror onde uma mulher totalmente despida tem a cabeça serrada, tudo mostrado em um plano geral que se aproxima aos poucos, simplesmente genial, um momento onde o horror se encontra com a poesia. A sequência da caçada onde as duas mulheres nuas correm sob o sol, com a Condessa portando um arco e uma flecha é simplesmente inacreditável. A edição de COUNTESS PERVERSE da MONDO MACABRO além de uma imagem perfeita, tem extras excelentes, vale muito a pena conferir, um item obrigatório para colecionadores e amantes iniciados da Obra do “Tio Jess”.

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