26/05/2012

RABIES: Um thriller surpreendente de Aharon Keshales e Navot Papushado.


É muito gratificante ainda poder se surpreender com um filme de gênero atualmente, ainda mais quando esse filme surge de uma cinematografia marcada por filmes politicamente engajados e Dramas humanos sensíveis como a de Israel. RABIES, 2011 é daqueles filmes que desconstroem totalmente um subgênero, recriando toda uma idéia de clichês sedimentados com o tempo. A dupla de jovens diretores que produziu RABIES pega a fórmula do slasher clássico, com jovens perdidos em uma floresta e destrói todas as nossas expectativas construindo um roteiro inteligente, surpreendente e de rara sofisticação narrativa. Trabalhando com atores em uma mesma locação, parece criar uma Fábula Moral, onde duas garotas acompanhando dois amigos de carro atropelam um sujeito que foge da tal floresta onde se encontrava preso com uma amiga em uma espécie de bunker subterrâneo. Um silencioso assassino, um caçador e seu cão e dois policiais complementam as personagens dessa tensa narrativa que, quase em tempo real mostra como o ser-humano pode se transformar em um monstro sanguinário em situações extremas e onde absolutamente nada é aquilo que parece e tudo pode acontecer.


As pessoas imersas na simbólica floresta parecem vírus agressivos que contaminam com seu sangue e sua raiva aquele ambiente sereno, bucólico e harmônico da natureza. Não existem nesse filme assassinos mascarados com  machados correndo atrás de jovens tagarelas e idiotas, não que isso não seja divertido, as décadas de 70 e 80 estão cheias de filmes assim e eu gosto de muitos deles, mas RABIES foge totalmente desse universo com um roteiro que nos surpreende  auxiliado por uma montagem muito bem realizada que proporciona um ritmo todo especial e deixa lacunas a serem preenchidas pelo espectador assim como une ações semelhantes de maneira primorosa. O filme é muito simples, usa com criatividade a linguagem cinematográfica sem pirotecnias, com a câmera na mão muitas vezes e com um aprofundamento das personagens que são muito bem trabalhadas.


RABIES é um retrato sarcástico e niilista da condição humana, sem retoques. O Gore aparece de maneira pontual e não desaponta os fãs, mesmo não sendo tão extremo como de  costume nas atuais produções. A sequência onde uma vítima é enterrada ao som do celular onde recebe uma mensagem dizendo que vai ser pai, é uma amostra desse niilismo amargo que permeia o filme. Os Diretores afirmaram em uma entrevista durante o Fright Fest de Londres que     uma das influências do filme é o clássico italiano, já comentado por aqui: HITCH HIKE, e na cena final após a apresentação dos atores,  essa influência fica muito mais explícita. RABIES percorreu diversos festivais de Cinema mundo afora, além do Fright Fest de Londres, passou até pelo badalado TRIBECA de Nova Iorque. Recentemente recebeu o prêmio de Melhor Banho de Sangue no tradicional FANTASPOA de Porto Alegre.

2 comentários:

Bússola do Terror disse...

Interessante!
A época de ouro dos slashers foi o início dos anos 80 (haja visto o sucesso da série Sexta-Feira 13 na época). E acho que era exatamente porque é um tipo de filme de terror que era muito próprio DAQUELA época, com situações que podiam acontecer mais facilmente NAQUELA época (como ficar preso num lugar isolado e sem comunicação), né?
Criar um slasher que dê certo se passando nos dias de hoje (onde em qualquer grupo de pessoas você encontra pelo menos uns 2 ou 3 celulares e pode pedir ajuda) é coisa rara. Mas no caso desse aqui, tô vendo que eles conseguiram.

Marcelo Carrard disse...

Realmente hoje em dia, na era dos GPS e dos IOhones o isolamento se complica. Em Rabies a ameaça é o próprio ser humano e o q ele pode fazer em situações extremas onde o bem e o mal mudam de lugar o tempo todo.

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...