02/05/2012

LOVE IS THE DEVIL: STUDY FOR A PORTRAIT OF FRANCIS BACON: Um mergulho perturbador nas profundezas da alma de um Gênio da Pintura.


Que FRANCIS BACON foi um dos maiores pintores do Séc XX disso não tenho dúvida alguma. Suas pulsões cromáticas tão singulares, suas deformações geniais da figura humana, principalmente dos rostos com um expressionismo tão ou mais intenso que o de Munch, por exemplo, fazem de suas imagens um estudo perturbador e ao mesmo tempo de rara beleza sobre a condição humana, a solidão, a culpa e o desejo interdito. Na noite dessa quarta feira fomos na Sessão Comodoro onde finalmente pude me deslumbrar com grande presente para os sentidos, o magnífico: LOVE IS THE DEVIL, 1995, de JOHN MAYBURY. Vencedor de diversos prêmios em festivais de cinema, infelizmente NUNCA foi exibido comercialmente no Brasil. Quem conhece os distribuidores coxinha que temos por aqui, imagina o porquê...


O filme não é uma biografia formal e careta sobre a vida e a obra de Bacon. O roteiro engenhoso do próprio Diretor optou por situar o filme no período em que o notório Pintor irlandês teve um tórrido romance com o marginal e lutador de boxe George Dyer. No papel de Bacon  o grande ator: DEREK JACOBI, em uma interpretação devastadora, é incrível a sua performance, de uma entrega que só os grandes atores são capazes de se jogar, indo além do abismo. E no papel de Dyer, o ainda não mega astro: DANIEL CRAIG, atualmente encarnado  o Agente 007. A grande cumplicidade dos atores nos proporcionam tórridas e inesperadas cenas de sexo e nudez, com uma atmosfera sombria e tensa permeado todas as ações, em um relacionamento onde inicialmente o papel viril e dominador de Dyer passa por uma trágica reviravolta.


A trilha sonora do genial Ryiuchi Sakamoto é muito interessante, se integrando às imagens com uma sutileza muito particular. A  beleza dos enquadramentos e as tensões e camadas cromáticas remetem à obra de Bacon, mesmo não aparecendo no filme as obras do autor. Os rostos quase desfocados e deformados pela câmera e alguns momentos onde surge o grotesco como categoria estética, são exemplos dessa maneira criada pelo Diretor para simbolizar os maneirismos pictóricos de Bacon. Uma das sequências mais sublimes é a da luta de boxe onde as luvas vermelhas se destacam para, em um crescendo de tensão tornar toda luminosidade vermelha após um jorro de sangue, simplesmente um momento de raro virtuosismo cinematográfico.. Imagens especulares simbolizam os famosos auto-retratos do artista. As sombras do quarto e do ateliê são reveladoras. Sua obsessão pela figura humana, por sua relevância na arte é o grande mérito de Francis Bacon que consegue desconstruí-la criando obras únicas. Apesar de seus fantasmas, suas obsessões e seu desejo incontrolável de pintar, viveu mais de 80 anos,  vivendo o final de sua vida na Espanha. Foi mais um grande prazer cinéfilo poder degustar essa rara iguaria cinematográfica, indicada para paladares muito exigentes. Um dos filmes mais impactantes de todaa minha vida, sem dúvida... Parafraseando o título do filme, o amor pode se transfigurar em um demônio, daqueles que fascinam e ao mesmo tempo escravizam, mas que antes de tudo podem nos inspirar tanto a ponto de criarmos obras de arte com um longo poder de permanência...


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