23/04/2012

LIVIDE: A nova Obra Prima de Alexandre Bustillo e Julien Maury.


Ainda me lembro do grande impacto que tive ao ver pela primeira vez: A L’INTÉRIEUR aka A INVASORA em 2007, dirigido pela dupla: ALEXANDRE BUSTILLO e JULIEN MAURY, com a presença em cena de uma soberba e demoníaca Beatrice Dalle, vestida de negro e empunhando sua afiada tesoura. A releitura muito particular do universo de Fulci e Argento, a força em cena do gênero feminino como protagonista do horror extremo, a criatividade do roteiro fizeram desse filme um marco do Cinema Fantástico Contemporâneo. Após o impacto desse filme genial uma pergunta pairou no ar: I quê esses talentosos diretores franceses fariam no seu longa seguinte ? A resposta veio sob a forma de mais uma Obra Prima do Horror Cinematográfico Europeu: LIVIDE, 2011.


Um singular mergulho nos abismos mais sombrios da alma feminina. Assim poderia ser definido esse filme onde mais uma vez  as mulheres protagonizam como sinistras representações do Monstruoso Feminino, no melhor estilo das musas sangrentas e góticas dos clássicos de Mario Bava e Dario Argento. O encontro entre uma jovem com a decrépta figura de uma velha paralisada em uma cama, respirando por aparelhos e recebendo constantes transfusões de sangue é o ponto de partida dessa fábula macabra onde a figura quase mítica da bailarina é subvertida em uma teia de horror e morte, encenada em uma noite interminável em uma mansão isolada na floresta. Parece que as bailarinas de Degas se transfiguraram em demônios sépia em sua Dança da Morte. SUSPIRIA e seus elementos de Conto de Fadas mesclados com o Balé e a onipresença da Bruxa e seu desejos de poder e destruição é uma das referências mais nítidas em LIVIDE. Claro que CISNE NEGRO não poderia deixar de ser citado, mas nossa dupla de diretores consegue imprimir um estilo muito pessoal, tendo como grande aliado o magnífico Diretor de Fotografia: LAURENT BARÈS, que colaborou com eles no longa anterior e no thriller violento: A FRONTEIRA, de XAVIER GENS, 2007.


A composição das figuras femininas que assombram a mansão surgem como representações sublimes do Monstruoso Feminino. A velha acamada e seu respirador remete a figura da velha morta do terceiro episódio de BLACK SABBATH de Mario Bava em uma icônica representação da figura do Cristo Morto de Mantegna, representação quase onipresente no Cinema e com especial destaque nos clássicos: MAMMA ROMA de Pasolini e 2001-Uma Odisséia no Espaço de Kubrick. As bailarinas fantasmagóricas e sua coloração sépia tem um forte efeito cromático, sem esquecer a diferente coloração dos olhos da protagonista. A imagem da mariposa que sai de um livro, encontra no final      uma brilhante conexão dentro do criativo roteiro. Uma inusitada mistura de vampirismo e canibalismo subverte ainda mais a figura da bailarina com o contraste do sangue no inocente vestido branco e na inusitada cena de levitação. Um filme, assim como AMER, cheio de pequenos diamantes e mistérios insolúveis que o colocam em um lugar de destaque no Gênero Fantástico. LIVIDE é simplesmente um filme arrebatador...

3 comentários:

Bússola do Terror disse...

Eu não vi A Invasora, mas já li o roteiro. E no site em que eu li tinham comentários de pessoas realmente chocadas com o que viram! E o seu breve comentário sobre o filme parece confirmar isso, né?

Marcelo Carrard disse...

A Invasora é meio incômodo de assistir de tão extremo, mas é muito bem realizado. Livide tem momentos sangrentos mas é mais poético, menos realista.

Anônimo disse...

Eu assisti tendi foi nada do filme,a menina mordia os outros se alimentava de snague como era nao teve explicação no filme,ou eu que sou mto burra.

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