03/04/2012

LA PRINCIPESSA NUDA aka LA PRINCESA DESNUDA, THE NUDE PRINCESS: Ajita Wilson encontra Cesare Canevari.


Depois de muitos dias sem postar peço desculpas aos leitores. A ausência foi por uma série de motivos um pouco graves mas agora está tudo OK. Dos poucos filmes que pude ver esses dias me chamou a atenção um surpreendente filme do experiente Diretor Italiano: CESARE CANEVARI, um expert em pérolas exploitation como: L’ULTIMA ORGIA DEL III REICH, que conta com a participação como protagonista, da cultuada transex: AJITA WILSON: LA PRINCIPESSA DESNUDA, 1976. A trama gira em torno de uma Princesa africana, comcubina de um Ditador, que viaja para Milão à negócios. Um mistério com relação a sua sexualidade fica claro aos poucos, quando uma nativa de sua tribo surge e revela que ambas são: “Fêmeas Castradas Bantú”. O tal Ditador africana  seria o temido Idi Amin, que aterrorizou Uganda na época, mas nada é muito claro nesse sentido e os produtores chegaram a colocar uma nota na abertura falando que o filme é uma obra integralmente de ficção.


AJITA WILSON nasceu George Wilson em Nova Iorque, no ano de 1950. Iniciou um trabalho como travesti em clubes noturnos até ser descoberta por produtores europeus de filmes eróticos/exploitation e na metade dos anos 70  realizou uma cirurgia de troca de sexo. Seu rosto andrógino e de grande força expressiva encantou diretores como: Jesus Franco, com quem colaborou em filmes como: MACUMBA SEXUAL, onde aparece explicitamente em cenas de nudez frontal onde introduz fálicas imagens vodu em sua vagina recém construída pela cirurgia. Morreu jovem, aos 36 anos, em Roma, mas deixou sua marca no Cinema Exploitation Europeu. Em LA PRINCIPESSA DESNUDA ela desfila vários figurinos e perucas coloridas, sem aparecer frontalmente nua. O filme é construído de maneira quase experimental, com uma linguagem não muito convencional para um filme italiano de forte acento erótico, onde a linguagem costumava ser mais clássica, redonda e linear. Canevari abusou dos planos gerai, da câmera na mão e em uma montagem criativa. O filme desvenda os segredos da Princesa em sequências de grande impacto como a do ritual erótico onde homens e mulheres dançam em transe em torno de uma fogueira, todos despidos e sob o efeito de uma espécie de cigarro  que é oferecido por um sacerdote mascarado. O rosto de Ajita atrás do fogo é uma imagem sublime que nos leva ao momento em que a traumática castração é realizada em um momento de sutileza e grande representação da androginia dos corpos.


A busca da Princesa por um prazer intenso se mistura a sua luta em negociar com o bando de bufões que se sentem intimidados por ela nas reuniões de negócios. Um papparazzi a segue nas suas aventuras eróticas, sem muito sucesso. A sequência da orgia no Bordel de Homens é inacreditável. Vários tipos de homens participam da suruba, de típicos e cafonas galãs italianos até um divertido e animado anão. A sequência final no aeroporto é muito interessante, alucinada onde em um momento mágico a câmera enquadra em close up os olhos de Ajita Wilson e o que vemos são os profundos e cristalinos olhos de uma mulher, sua alma feminina registrada de maneira onírica o que desencadeia uma mudança na personagem que parece renascer. Muito interessante esse filme raro do qual nunca havia ouvido falar. Ajita Wilson tem suas qualidades como atriz, o que fica claro em clássicos exploitation como HELL PENITENTIARY. Não é um primor de interpretação mas fica em um mesmo nível de uma Laura Gemser, por exemplo.  Um filme obrigatório para colecionadores. Existe uma edição da MONDO MACABRO UK excelente.



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