08/02/2012

NO PROFANAR EL SUEÑO DE LOS MUERTOS aka ZOMBI 3, LET SLEEPING CORPSES LIE: A revisão de uma Obra Prima de Jorge Grau.


Muitas pessoas conhecem esse filme através da edição em VHS que saiu no Brasil com o título de ZOMBI 3, mesmo nome com que foi exibido nos cinemas brasileiros. As lembranças que eu tenho dessa edição em VHS são poucas, na memória guardava as antológicas sequências finais no Hospital. Essa semana tive acesso a uma excelente edição espanhola desse filme fantástico do Mestre: JORGE GRAU, com seu título original: NO PROFANAR EL SUEÑO DE LOS MORTOS, com uma versão restaurada, com excelente imagem e sem cortes, com direito a extras geniais. Após assistir a esse DVD percebi como Grau conseguiu criar uma obra de raros momentos de composição e atmosfera. Feito em 1974, o filme se encontra temporalmente entre A NOITE DOS MORTOS VIVOS e DAWN OF THE DEAD, ambos de George Romero. Assim como Dawn of the Dead, o filme de Jorge Grau é uma co-produção com a Itália, o que já adianta os clássicos posteriores que viriam, principalmente pelas mãos de Lucio Fulci. Grau imprime algumas influências de Romero mas consegue imprimir um estilo muito próprio.


A trama é ambientada no interior da Inglaterra em uma pequena cidade onde um casal, de maneira inesperada, se envolve em um pesadelo criado por uma máquina que emite freqüências eletromagnéticas que exterminam insetos, mas que acabam devolvendo a vida aos mortos. O primeiro encontro entre a mulher e o zumbi é sensacional, uma sequência de grande força dramática e carregada de uma atmosfera peculiar que permeia todo o filme. O ataque do zumbi em meio aos flashes da máquina fotográfica também se destaca por sua refinada e criativa composição. Grande direção de fotografia, principalmente nas sequências noturnas, sem esquecer dos momentos Gore no Cemitério. A sequência das catacumbas e do fogo me remeteram a saga de Armando de Ossorio e possuem uma mórbida poesia as imagens dos mortos na cripta antes de despertarem, quase com uma textura pictórica, com uma dramaticidade barroca.


A personagem do Inspetor é simplesmente insuportável, um dos maiores filhos da puta de todos os tempos, mas importante para a condução da trama onde ele                  obviamente não acredita nos zumbis e acredita que tudo é culpa do vício em heroína da irmã da protagonista e de rituais de satanismo e canibalismo praticados por jovens cabeludos com roupas unissex. Com certeza o massacre no hospital é uma das grandes influências desse filme de Grau para posteriores filmes de zumbis, até em Planet Terror de Robert Rodriguez percebemos essa influência. Não considero esse filme de Jorge Grau tão extremo, mas mesmo assim ele ganhou o polêmico selo de VIDEO NASTIE no Reino Unido dos anos 80.

2 comentários:

Fernando disse...

Eu não conhecia esse filme. Valeu por divulgar essa raridade.

Marcelo Carrard disse...

Devo falar sobre outro filme desse diretor e de outros clássicos espanhóis esses dias. Vale a pena conhecer os clássicos do horror espanhol.

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