01/02/2012

MEN BEHIND THE SUN: Uma ótima surpresa na Sessão Comodoro de fevereiro.


No início dos anos 90 passei em uma locadora que tinha na Rua Augusta, em frente a Peixoto Gomide e aluguei um VHS que me encantou por sua capa apelativa e seu título bizarro: !CAMPO 731 – BACTÉRIAS, A MALDADE HUMANA. Era o filme perfeito para uma tarde de sábado regada     a refrigerante e batata frita... Anos depois, já na era do DVD e da Internet, fiquei sabendo que o tal filme de título bizarro era a série cultuada de Hong Kong: MEN BEHIND THE SUN. Foram quatro filmes ao todo sendo que os mais recomendados pelos fãs são o primeiro e o último: BLACK SUN, além de inspirar o perturbador e extremo filme russo de 2008: PHILOSOPHY OF A KNIFE. Nesse primeiro filme somos transportados ao tal campo 731 em pleno período sangrento da invasão do Japão ao território chinês, um episódio que, mesmo tendo ocorrido há mais de 60 anos, ainda é um trauma com feridas não plenamente cicatrizadas...


MEN BEHIND THE SUN procura uma mistura nem sempre bem sucedida de se fazer ao mesmo tempo um filme histórico, de denúncia contra a barbárie cometida pelos japoneses na China e de fazer um filme exploitation onde as imagens das atrocidades são o elemento estrutural do filme. O resultado é um filme de momentos marcantes, de bela fotografia, principalmente nas sequências ambientadas no inverno e sua perturbadora sequência final onde um sangrento parto ocorre sob a tensão do grande carrasco do filme com direito a bandeiras do Japão como uma alegoria aterradora dos deslimites do poder, do que um ser humano é capaz de fazer com outro ser humano em nome de ideologias e conquistas territoriais. Deprimentes as sequências das vítimas com partes dos corpos sendo congelados e da polêmica cena do gato branco devorado por uma multidão de ratos. A evisceração do menino também se destaca como apoteótica imagem exploitation que satisfaz plenamente os Gore Maniacs de plantão. Foi uma experiência muito interessante ver esse filme em uma tela de cinema. O encontro com os amigos nessa inusitada Sessão Comodoro foi breve mas muito proveitoso como sempre, tivemos que voltar rápido para casa. O australiano THE BAND não foi exibido pois a Diretora do filme soube pelo Facebook que o filme ia ser exibido e, em um gesto provinciano e nem um pouco transgressor ou ousado, vetou a exibição do filme, que pena. Coitada dessa moça, deve ter aprovado o SOPA/PIPA, vai saber... O que adianta ela fazer um filme sobre Rock com cenas de sexo hardcore e ter uma atitude careta, de Direita como essa...

7 comentários:

Bússola do Terror disse...

Eu já vi esse filme na locadora há uns anos (era em VHS inclusive), até li a sinopse na capa na ocasião, mas não levei o filme pra assistir. Só que tava na seção de Documentários da locadora. Então, pensei que fosse um filme com cenas reais mesmo.

Marcelo Carrard disse...

O filme é baseado em fatos reais, tem muitas informações históricas escritas na tela durante o filme, mas não pode ser considerado um documentário.

Fahrenheit32 disse...

Lembro de duas cenas em especial: a do sujeito na camara hiperbárica, que tem seu intestino saindo pelo ânus e a da autópsia no menino ainda vivo. Sendo que essa cena do menino, me parece que foram reais. Segundo uma história que vi na internet, um garoto da mesma idade e tamanho do ator mirim, morrera na localidade onde se filmava a pelicula e por alguma mórbida e oportuna razão, T. F. Mou pediu autorização para filmar a autópsia do menino e a inseriu na trama.

Marcelo Carrard disse...

Essa história da autópsia do menino eu não conhecia. A sequência é bem realista mesmo. Acusaram o Joe D'Amato de ter usado um cadáver real na sequência da autópsia da mulher que será empalhada, mas na verdade o corpo é o da atriz Cinzia Monreale que ficou horas imóvel sendo maquiada.

J. Luca disse...

Esses filmes extremos que são baseados em fatos reais (mesmo com os exageros que podem acompanhar a fita) são os mais difíceis de assistir. Estou em busca desta pérola aqui. Valeu pela dica Marcelo e parabéns pelo excelente blog! É a primeira vez que comento aqui, apesar de ler seu blog desde o primeiro dia.

Uma pergunta: você vai comentar as continuações deste filme?

Marcelo Carrard disse...

Muito Obrigado Luca. Se encontrar esse quarto filme, o Black Sun, pretendo comentar sim, assim como o Philosophy of a Knife.

Anônimo disse...

O Philosophy of a Knife tem tanto no cinemageddon quanto no surreal, o difícil tá mesmo o Black sun :(

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