26/11/2011

A NOITE DO CHUPACABRAS: O sangrento “Faroeste Capixaba” de Rodrigo Aragão.


Finalmente na noite dessa última sexta-feira, dia 25, no 6º CINEFANTASY aconteceu a estréia paulista do novo filme do Diretor capixaba: RODRIGO ARAGÃO, no   CINESESC, um dos últimos focos de resistência cinéfila de São Paulo, em plena Rua Augusta. Embora o Cinema de Aragão se comunique de maneira muito clara com o público, infelizmente ainda não teve uma distribuição comercial no Brasil. O Diretor não tem nenhum problema em ser acessível, sem traços herméticos de um Cinema pretensioso para poucos  mortais. A NOITE DO CHUPACABRAS é um claro exemplo. Após o impacto de seu primeiro longa: MANGUE NEGRO, Aragão volta no tempo e retoma a mítica figura do Chupacabras, mostrada em um curta de baixíssimo orçamento que fez sucesso no YOU TUBE. O longa é fruto da insanidade muito bem vinda de seu Diretor e de sua corajosa equipe, que rodou a maioria das cenas a noite em meio a exuberante e selvagem natureza da região de Guarapari e arredores. Cobras e aranhas eram companhias constantes da equipe, que só aumentaram a ventura de filmar cenas de ação noturnas, com toda a complexidade que isso traz, principalmente para a Direção de Fotografia.

Além dos excelentes efeitos especiais do filme, que inclue a maquiagem das criaturas, tudo à cargo do Diretor, o filme tem uma escolha muito interessante de seu cast. Atores capixabas, amigos de Aragão, se misturaram ao paulistano JOEL CAETANO, também Diretor, ao gaúcho CRISTIAN VERARDI e ao surpreendente: PETTER BAIESTORF, que é uma figura lendária do Cinema Underground, e no filme simplesmente rouba a cena como ator, co muito carisma, com uma presença em cena muito forte, ele deveria filmar mais, aproveitar esse talento aparecendo em outras produções, é uma figura que funciona muito vem diante das câmeras, a sua chegada em cena é impressionante, acompanhado de seus irmãos na parte da trama que mostra uma guerra sangrenta entre duas famílias, com muitos tiros de armas antigas, compondo um sangrento “Faroeste Capixaba”. Em meio a essa luta surge o Chupacabras. O mais interessante nessa criatura, é que, ao contrário do que a maioria dos diretores faz, é interpretada por um ator, vestindo um figurino bastante verossímel de um Chupacabras verde, quase um lagarto. Quando a trégua entre as duas famílias ´é quebrada, em uma noite após uma briga de bar, o filme ganha uma força narrativa poderosa que faz o espectador grudar na tela. A NOITE DO CHUPACABRAS é um Monster Movie embebido em cultura regional o que traz uma identidade muito particular ao filme, o que também se percebe em MANGUE NEGRO. Essa realmente é a proposta para tornar o nosso Horror Cinematográfico, algo singular. Temos lendas de todos os tipos em cada região, temos nossa religiosidade, nossa Macumba, material é o que não falta.


O filme tem locações muito bonitas, uma luminosidade, um jogo de luzes e sombras que remetem ao Horror Cinematográfico espanhol, latino. Algumas idéias muito interessantes poderiam ter sido melhor trabalhadas, com o sangue do Patriarca, que insinua uma ligação da figura materna com a magia. O flash back da cachoeira é colocado muito no final e sua intensa luminosidade quebra um pouco a atmosfera sombria e envolvente em que o espectador está mergulhado, embora o tal flash back seja muito bem realizado. Claro que eu não poderia deixar de encerrar esse modesto comentário sobre o filme sem destacar a figura do “Velho do Saco”, interpretado pelo Cristian Verardi. Além da maquiagem muito interessante da criatura e das cenas sangrentas que ele protagoniza, ele surge como uma variação do mito urbano do “Velho do Saco” que povoou minha infância no sul onde a tal figura roubava crianças e as colocava em um enorme saco que carregava nas costas. Já no filme do Aragão essa figura ganha mais complexidade, com o elemento do canibalismo presente de maneira muito interessante. Joel Caetano faz o herói que na verdade subverte tudo que se espera desse tipo de personagem, ele é humano, amoral, comete e cometeu erros. Não posso esquecer da Trilha Sonora do filme que é um dos mais fortes elementos estruturais do filme, com sua força regional e percursiva. Resumindo, pois teria ainda muito o que falar por aqui, A NOITE DO CHUPACABRAS é um filme de Horror genuinamente brasileiro, sem deixar de ser universal e, propositadamente atemporal.

2 comentários:

Leo Carioca disse...

Sabe que no outro dia eu vi Pântano Negro na estante da locadora? Mas ainda não assisti.
Achei muito interessante esse filme do Chupa-Cabra. E até achei legal ele usar um ator fantasiado pra fazer o monstro em vez de um efeito 3D, porque hoje 99% dos monstros que aparecem em qualquer filme são efeitos 3D, né? Alguns inclusive ficam mais falsos do que quando é um ator fantasiado.
Engraçado: esse monstro me lembrou um pouco o Monstro da Lagoa Negra.

Marcelo Carrard disse...

Sim, lembra. Mangue Negro é muito bom, vale a pena conhecer.

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...