12/09/2011

CANNIBAL MAN aka LA SEMANA DEL ASESINO: Um Clássico marginal do Cinema Espanhol.


Em 1973, o diretor espanhol: ELOY DE LA IGLESIA lançou um dos filmes mais interessantes e transgressores da década de 70, com um corajoso olhar sobre a violência e a sexualidade. Em plena Ditadura Militar Iglesia ousou em contar a história de um brutal assassino com perversões necrófilas, Marcos, interpretado pelo talentoso: VUCENTE PARRA e sua relação ambígua com o vizinho Gay, Nestor, interpretado por EUSEBIO  PONCELA, cultuado ator espanhol que participou de duas produções não menos cultuadas de Pedro Almodóvar: MATADOR e A LEI DO DESEJO. O filme foi rodado em locações na periferia de Madrid e tem uma atmosfera sombria, de uma frieza retratada na fotografia muito criativa do filme. A pulsão homicida de Marcos explode em uma série de assassinatos dentro de sua casa, onde seu quarto se transforma em uma espécie de depósito dos corpos, que são mutilados e levados até uma máquina processadora de carne no matadouro onde ele trabalha.

Mesmo com poucos recursos o filme consegue com criatividade nos transportar para o estranho mundo desse não menos estranho assassino. A seqüência em que ele e Nestor estão em um café e são abordados por policiais pedindo seus documentos, mostra com sutileza o clima repressor da Ditadura do General Franco. Mas a mais surpreendente seqüência de todo o filme é o longo banho de piscina dos dois homens em uma representação alegórica do desejo represado de ambos que surge ao mesmo tempo como uma recriação da série de quadros homoeróticos intitulada A BIGGER SPLASH  de DAVID HOCKNEY, cuja série de quadros também é recriada por Pedro Almodóvar em MÁ EDUCAÇÃO. Fugindo de esteriótipos, Marcos é um assassino com momentos de culpa, fraqueza, que o tornam humano, real. Boas doses de violência, com destaque para a cabeça do homem que tem o rosto partido ao meio por uma enorme lâmina. Um filme de desdobramentos surpreendentes, com algumas doses de melodrama e muito sombrio. Um Clássico marginal e corajoso   que merece ser descoberto pelas novas gerações de cinéfilos.


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