26/09/2011

BLIND WOMAN’S CURSE: Um filme raro e genial do Mestre Teruo Ishii.


Tudo começa como em um sonho onde mulheres e homens lutam com espadas numa espécie de coreografia acentuada pela câmera lenta, intercalada pelos caracteres japoneses em vermelho. As belas composições de imagens se repetem com a dramaticidade surreal do horror e do grotesco nesse belo filme de 1970, dirigido pelo Mestre: TERUO ISHII, o mesmo do sensacional: HORRORS OF MALFORMED MEN. Voltando a onírica abertura de Blind Woman’s Curse, a imagem dos olhos, do sangue e do gato simbolizam os principais elementos dessa fábula fantasmagórica. Em meio a essa trama sobre uma vingança sobrenatural onde os homens são mortos com sangrentas marcas no rosto, temos a luta entre dois grupos rivais, um deles com uma estranha figura que veste chapéu, óculos escuros, camisa social, colete... e uma espécie de tanga vermelha...


Imagens que beiram o surrealismo são inseridas em alguns momentos. Belos e criativos movimentos de câmera como as seqüências onde o homem encontra as cabeças enfileiradas, onde o casal é submerso como forma de tortura e na luta final onde o filme encontra a seqüência onírica inicial e nos transporta para suas sublimes cenas finais. O filme causa estranhamentos muito bem vindos. Personagens sórdidos, fealdade, atmosfera sombria. O filme foge da hiperestilização do belo, do regional. O cotidiano retratado por Ishii é permeado de vulgaridades, de violência, de culpa e desejo de vingança. Mais se aproxima de O TÚMULO DO SOL de Oshima. Mais um exemplar da lendária produtora NIKKATSU que merece uma revisão. Bela e criativa direção de fotografia em uma história surpreendente com um belo trabalho de Direção. Os olhos da mulher, os olhos do gato, as sombras, o sangue, elementos que estão presentes de maneira singular nesse belo filme de singular poesia...


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