31/07/2011

DORIAN GRAY: A singular versão de 1970 dirigida pelo Mestre: Massimo Dallanano.


O mito de Dorian Gray foi imortalizado por Oscar Wilde como uma poderosa metáfora da busca pela eterna juventude simbolizada pelo jovem e belo rapaz que se revela um anjo exterminador. Muitas particularidades estão presentes tanto da obra literária quanto na adaptação cinematográfica de Massimo Dallamano, de 1970, estrelada por Helmut Berger. Oscar Wilde, depois de anos sendo consagrado como grande autor no Reino Unido, teve sua vida destruída pelo seu jovem e diabólico amante que o condenou a prisão e ao rótulo de maldito. Helmut Berger viveu um longo e tumultuado relacionamento com o grande Cineasta italiano: Luchino Visconti, e com o tempo teve a saúde abalada até sua morte. Nesse paralelo entre Oscar Wilde e Visconti vemos a força dessa metáfora do anjo exterminador. Existe na beleza extrema e na juventude algo de diabólico e fascinante. No filme de Dallamano Dorian ao posar para um retrato percebe que sua vida giraria em torno de seu poder de sedução e de destruição, representado pela sua jovem amada que acaba com a própria vida após ser desprezada por Dorian. O tempo passa e só o retrato envelhece. Dorian a cada conquista amorosa parece mais forte e mais diabólico descendo aos porões da amoralidade sempre ileso. Não se trata aqui de um ser livre vivendo a sua sexualidade em pleno auge da liberação sexual, ainda mais na borbulhante Londres de 1970, Dorian percorre as sombras, os labirintos, as trevas desse mundo luminoso que os jovens da época viviam com transgressão e muita criatividade.


A sequência em que Dorian Gray percorre em um carro de luxo uma praia mediterrânea repleta de belos homens é um achado, bastante ousada para a época, assim como a cena do chuveiro. A trilha sonora ficou a cargo de dois compositores: Peppino de Luca e Carlos Pés. Sensacionais as sonoridades que eles criaram, com incisivos acordes de guitarra e grooves incríveis mesclados aos temas orquestrais que acentuam a parte dramática do filme. As cenas   passadas nos clubes noturnos são ótimas, as músicas, a iluminação... um charme, que eu adoro. A sequência do barco onde Dorian transa com uma de suas conquistas enquanto é observado por outra mulher, é uma das mais interessantes, assim como os momentos em que Dorian se confronta com o seu retrato, com direito a assassinato, câmera subjetiva e uma estilizada atmosfera. A questão da passagem do tempo é trabalhada de maneira sutil. Helmut Berger nunca foi um grande ator, mas, particularmente nesse filme achou um papel feito sob medida para ele, o que fez com que sua performance tivesse resultados muito satisfatórios.

0 comentários:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...