04/06/2011

DON’T DELIVER US FROM EVIL: Um Conto magnífico sobre ninfetas satânicas...


Já tinha ouvido falar sobre esse filme francês raro, de 1971, dirigido por um tal de: JOEL SÉRIA, um sujeito muito talentoso e de grande sensibilidade cinematográfica  que através das belas e perturbadoras imagens de seu: DON’T DELIVER US FROM EVIL, nos transporta para o mundo de duas ninfetas criadas sob a rigidez  de um Colégio Católico e de suas famílias burguesas e conservadoras. Mais uma vez temos em cena a representação do Belo como fonte de destruição e subversão, como no clássico exemplo de Dorian Gray. A fotografia deslumbrante do filme sensualiza com sutileza o corpo das duas meninas, uma loira e outra morena, criando uma dicotomia cromática que percorre o filme com grande força estético-narrativa. A sutileza dos olhares na sequência da Confissão,  um exemplo da tensão sexual causada pela dupla de protagonistas. A sequência da Missa e a imagem quase onipresente da hóstia carregam o filme de simbolismos católicos, de martírio, culpa e confissão, onde não existe espaço para dois espíritos livres e de um poético paganismo...


A subversão do Rito Católico em Rito Satânico abre a longa e belíssima sequência das meninas acompanhadas de um sacerdote mudo, com o escapulátio e sua fumaça se mesclando com a sombra e a luz que compõem o cenário do barco, com as meninas de branco com flores na cabeça e segurando velas acesas... uma imagem de grande força poética que me emocionou muito... grande sequência essa do Ritual Noturno das duas ninfetas diabólicas...Do início, onde vemos uma das meninas se despindo atrás de um pano branco que destaca suas sombra, até as sequências onde as duas andam de bicicleta no campo, o fotógrafo as retrata com uma mistura de fascínio e voracidade. A sedução do rústico camponês e de uma safada perversão que mostra o embate de forças da natureza. O filme prossegue        nos brindando com cenas de rara e sombria beleza, como a da menina abrindo a gaiola one o pássaro morre em suas mãos... Mas a parte final onde elas encontram um homem na estrada e o levam para casa e na apresentação teatral da escola, que o filme nos brinda com seus momentos mais arrebatadores. Uma Obra Prima esquecida, que merece ser descoberta ou redescoberta, em alguns momentos lembra até filmes de diretores franceses clássicos como Bresson, mas o filme tem uma força, uma personalidade muito forte.

3 comentários:

Tony Sarkis disse...

Marcelo, ficou muito lindo o vizual do blog!!
E mais uma coisa, parabéns pelo conteúdo disponibilizado e pelas ótimas críticas, conheci muitos filmes bons graças ás suas indicações!!!
Um grande abraço!!

M.Carrard disse...

Muito Obrigado pelo retorno. Depois de seis anos com o antigo Blog, o MONDO PAURA, me sinto mais estimulado para continuar com mais novidades. Continue acessando. Até mais.

MarceloLima disse...

O filme inteiro no YouTube, legendado em inglês:
www.youtube.com/watch?v=ucABDVvYMp0

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