22/05/2011

ANDY WARHOL’S FLESH FOR FRANKENSTEIN: Uma leitura singular da Criatura mais Pop do Cinema de Horror.

Até onde eu sei a obra literária gótica mais adaptada para o cinema é a de FRANKENSTEIN, mais que Drácula até. A história da criatura composta por partes de corpos mortos que retorna à vida através da eletricidade no laboratório do Dr Frankenstein, já foi recriada de diversas formas no Cinema. Como ícone da Cultura Pop, a figura do monstro com a cabeça meio quadrada e com parafusos de Boris Karloff, no clássico da Universal, atravessou os anos fascinando espectadores e realizadores. Uma das leituras mais singulares e interessantes dessa história foi concebida pela turma de criadores de Nova Iorque liderados pelo Mestre da Arte Pop: ANDY WARHOL, que adaptou para o cinema duas das  histórias fantásticas mais populares da literatura: além de Frankenstei, Drácula. Ambas produções foram  dirigidas pela dupla: Paul Morrissey e Antonio Margheriti, em uma fusão entre o estilo Factory e o Cinema de Horror italiano que estava na sua fase de ouro. Em FLESH FOR FRANKENSTEIN, temos no elenco uma dupla de atores cultuados até hoje dentro do Cinema de Gênero: UDO KIER, no papel do Barão Frankenstein e JOE DALLESANDRO no papel da Criatura.


A concepção estética do laboratório é incrível tanto em termos cromáticos quanto nos tanques transparentes de vidro cheios de água. Os efeitos do 3D no filme são muito bem aproveitados. É interessante também como o Barão nomina suas criaturas. O homem, interpretado por Dallesandro é chamado de : MALE ZOMBIE e a mulher de: FEMALE ZOMBIE. O grande desejo do cientista é fazer com que suas criaturas se acasalem para gerar um filho, indo além do desejo de se igualar a Deus e criar a vida. Em um dos tanques pulsam um coração e um pulmão com todas aquelas luzes se acendendo e apagando que os fãs tanto curtem em um laboratório de um cientista louco. A sequência do homem que tem a cabeça cortada por uma tesoura de jardinagem é impecável em sua composição e uma amostra do que melhor definia a Fase de Ouros do Horror Cinematográfico Italiano.


A obsessão pelo corpo da criatura feminina aparece na dissecação de seu ventre e na vertigem do desejo incontrolável na parte final do filme. Os cenários são muito requintados e a importância da composição dos cenários fica muito clara se nos lembrarmos que o mentor de todo esse projeto é um artista plástico.A orgia de sangue e mutilação na parte final com certeza não desapontará os fãs. Uma latente e ao mesmo tempo mórbida sexualidade permeia todo o filme. Pelo que eu me lembro esse filme ficou alguns anos interditado pela censura no Brasil e na época de seu lançamento por aqui tinham muitos cartazes e fotos no saguão dos cinemas anunciando o tal FRANKENSTEIN em 3D. Como resultado de um trabalho de equipe FLESH FOR FRANKENSTEIN é uma obra de arte rara que merece ser descoberta ou revista. Das muitas adaptações que a história de FRANKENSTEIN recebeu através dos anos, essa da troupe de Warhol é uma das mais significativas  em termos artísticos.  Um filme surpreendente e que ainda encanta os espectadores de coração e olhos livres.



1 comentários:

Anônimo disse...

O personagem de Joe Dallesandro não é o da criatura e sim do "herói" do filme, o camponês amigo de Sacha - vítima do barão e futura "criatura".

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