22/02/2011

SNUFF 102: Um surpreendente experimento audiovisual extremo vindo da Argentina.


Existe um país vizinho da América do Sul que está décadas na nossa frente em diversas áreas, seja na defesa dos Direitos Civis, na vida cultural e noturna, na sua cerveja, no seu café expresso, no grande número de escolas de cinema com preços acessíveis a todos entre outras coisas muito interessantes como sua Cena Bear e suas lojas de artigos para fãs de Cinema de Gênero. Claro que estou falando da Argentina... Nossa que saudades de Buenos Aires, esse ano vou até lá de qualquer maneira... Ao contrário do Brasil, a Ar4gentina vem produz\indo um cinema de grande visibilidade mundo afora, com filmes muito mais baratos que as babaquices envernizadas da Globo Filmes. Em meio a essa produção se destacam alguns títulos recentes como os excelentes: MASSACRE ESSA NOITE e RECORTADAS, que são filmes com roteiros muito criativos e com orçamento baixíssimo, sem esquecer do deslumbrante e arrebatador curta-metragem: DEUS IRAE, que foi muito aplaudido no Cinefantasy do ano passado.

Em uma noite, acho que foi no Quarto Fantaspoa,             me lembro que estávamos em um bar da Cidade Baixa em Porto Alegre, após uma sessão do festival e o Cristian Verardi comentou sobre um filme argentino sobre snuff movies... anos depois, ou melhor, ontem, vimos aqui em casa o tal filme comentado pelo Cristian, na tal mesa de bar onde, entre outros estavam a Vivi e o Edu do Cinefantasy que acabara de conhecer, o filme em questão é: SNUFF 102, dirigido em 2007, por Mariano Peralta. O filme tem um roteiro quase perfeito, q infelizmente faz escolhas não muito satisfatórias no final, mas não deixa de ser um bom filme, ousado, perturbador e incômodo, adjetivos obrigatórios para um Filme Extremo. A trama mostra, em dois tempos, uma jovem que pesquisa snuff movies e seu cárcere onde está acompanhada de outras mulheres. A narrativa faz escolhas cromáticas interessantes: o momento em q a protagonista faz s suas pesquisas é mostrado em P/B e o momento snuff é trabalhado com várias texturas cromáticas de grande impacto em alguns momentos. A violência gráfica se acentua com o passar do tempo, com cenas perturbadoras como a tortura de uma gestante, o uso de um martelo sobre uma mandíbula ganchos e outros acessórios como um serrote... Na tal cena do martelo cheguei a pensar em voz alta: “Ele não vai fazer isso...” e ele faz... A cena de um eyeball chegou a me remeter ao Clássico absoluto Guinea Pig: Flowers of Flesh and Blood, mas no final, observando sua trilha  sonora eletrônica pesada, me remeteu diretamente ao recente clássico: A SERBIAN FILM.

Infelizmente no finalzinho o Diretor optou por uma conclusão  muito convencional que foge a sua ousadia narrativa, mas merece os parabéns por dar a cara a tapa, fazer um filme com poucos recursos, pois afinal, Cinema Fantástico é militância, é guerrilha, tem que ter culhões de aço... 


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