15/02/2011

A REENCARNAÇÃO DO SEXO: O “PORNOTERROR” DE CLAUDIO CUNHA


Certa vez, Claudio Cunha, em uma entrevista, lançou a seguinte pérola da sutileza: “ Quando eu fiz Amada Amante, disseram que eu fiz o Pornoromance, quando eu fiz Sábado Alucinante, disseram que eu fiz o Pornodiscoteca, quando eu fiz A Reencarnação do Sexo disseram que eu fiz o Pornoterror, daí eu resolvi  por no cu deles e fiz Oh Rebuceteio...” Bom, o Amada Amante, o Sábado Alucinante e Oh Rebuceteio são filme que eu já vi e revi inúmeras vezes, mas nunca tive a oportunidade de ver A Reencarnação do Sexo, até ontem... Para os que ainda não viram, vale muito a pena correr atrás desse filme, mesmo com sua matriz ruim vinda do VHS. Se trata de um inacreditável exercício de bizarrices sexuais, sangue, imagens de rara composição, com momentos de virtuosa fotografia, com diálogos absurdos.

A trama mostra um casal de amantes separado pelo pai da moça, um fazendeiro, que não aceitava o namoro da filha com um modesto peão. Com a morte do amado, a jovem morre depressiva e suas almas passam a atormentar todos os que vão morar na tal casa. O primeiro casal de moradores tem a rotina transformada pela voz dos espíritos que pedem que a mulher transe sem parar com o marido. Logo na primeira maratona de sexo o marido lança a frase genial: “ Eu já gozei 3 vezes e vc 5... ainda não está satisfeita?” Por aí a coisa descamba em cenas de sexo, a maioria muito bem fotografada/enquadrada, com cenas de violência cujas armas vão dos costumazes, machado e faca até um vibrador, em um  dos momentos mais absurdos que eu já tive a oportunidade de ver, fiquei realmente chocado, coisa rara no meu caso. Mas a festa continua, aprimorada no momento em que um grupo de hippies invade a casa para uma festinha em grupo...

A Reencarnação do Sexo é um filme que merece um restauro com urgência. Patrícia Scalvi é o grande destaque feminino do elenco. Me recordo dessa querida atriz da Boca do Lixo, em outra incursão no gênero fantástico: Ninfas Diabólicas, do Mestre: John Doo. Valeu a pena esperar por esse filme surpreendente que é obrigatório tanto para os fãs do Horror Cinematográfico, tanto para os fãs das antológicas produções da Boca do Lixo...

9 comentários:

Tony Sarkis disse...

Marcelo, depois de ter lido s sua análise, fiquei interessado em assisti-lo. então fui em busca de uma cópia na Internet e consegui achar uma cópia em VHS/RIP mas com uma boa imagem, e declaro que é um filme totalmente obscuro e bizarro, nunca imaginei que poderia existir um filme Brasileiro produzido dessa forma, só me lembro de ter assistido ao Seduzidas pelo Demônio mais ou menos nesse estilo, mas inferior a esse.
Obrigado pela recomendação, mais um para a lista de assistidos!!
Um grande abraço!!

M.Carrard disse...

Muito Obrigado pelo comentário. Existem muitos títulos produzidos na Boca do Lixo Paulistana com temática Fantástica, como os filmes de Jean Garret: EXCITAÇÃO, A FORÇA DOS SENTIDOS, entre outros, tem o "Giallo": MOMENTOS DE PRAZER E AGONIA, o episódio: O PASTELEIRO, do longa AQUI TARADOS, O EXTRIPADOR DE MULHERES do Jean Bajon, entre outros. Boa Sorte na caça aos filmes !!!

luana disse...

Ótima dica Marcelo!

Fiquei muito feliz com seu retorno, O blog já está excelente... queria ter um orientador na faculdade com um repertório igual ao seu, seria bem mais feliz viu, rs. TÁ AFIM, NÃO?

hahaha
beijo!

Luana.

M.Carrard disse...

Obrigado pelo retorno Luana. Se alguma faculdade me contratar, a sua por exemplo, posso te orientar com o maior prazer, mas está difícil querida. Mesmo com Curriculum está difícil. Beijão e volte sempre.

Hugo disse...

Evidentemente, Claudio Cunha ficou muito satisfeito com a sua tirada sobre o “porno-isso, porno-aquilo”, porque ele a repetiu em um debate ocorrido após uma exibição especial de “Snuff- Vítimas do Prazer” no Sindicato dos Artistas, uns dois ou três anos atrás. Só que, ao contar mais uma vez a piada requentada, ele substituiu “A Reencarnação do Sexo” (filme que ele produziu, mas não dirigiu) por “Snuff”. Claudio Cunha estava visivelmente desinteressado no debate. Quando Mário Vaz Filho – o diretor de “Um Pistoleiro Chamado Papaco”! – lhe perguntou a respeito de um suposto erro de montagem em “Snuff”, Cunha ficou puto e encerrou sua fala, dizendo que não estava ali “para discutir um filme velho”. Ué, se não estava ali para discutir o filme, estava ali para quê? Diante da situação constrangedora, nem esperei pela cerveja que iria rolar e adentrei-me na noite da avenida São João.

M.Carrard disse...

Nossa Hugo, q história !!! O Cunha é uma figura estranha mesmo, mas fazer o q? Nunca vi o Snuff dele, raro de achar. Obrigado pela visita Hugo.

Hugo disse...

“Snuff – Vítimas do Prazer” é um filme interessante, mas quem tiver a expectativa de ver um thriller de horror vai ficar frustrado. O filme funciona mais como um drama sobre o estado miserável em que se encontram técnicos e atores do cinema brasileiro. É algo na linha “pobres brazucas versus malvados exploradores ianques”, e uma reação, claro, ao “Snuff” original e seu ofensivo slogan (“Filmado na América do Sul, onde a vida não vale nada”). Até há um final “chocante”, com uma surpresa pendurada no para-choque de um carro, mas a cena da perpetração do assassinato “real” é altamente decepcionante, pela decisão de Cunha & Cia. de apresentar o crime sendo feito por meio de arma de fogo, algo bastante anticlimático.

M.Carrard disse...

Pois é Hugo, o filme parece ser mais uma curiosidade para quem não viu, assim como eu, acreditava que era um filme mais chocante, extremo. Mesmo assim gostaria de conferir.

ADEMAR AMANCIO disse...

Adoro as chanchadas eróticas.As vezes nada tinham de chanchadas.

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